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Abrandar é difícil.

paigasem de natureza com bruma e floresta


Sempre achei que seria fácil. Passamos uma vida a idealizar longos períodos de férias ou a nossa existência livre de obrigações, horários e compromissos profissionais. Ter mais tempo disponível para fazer tudo o que gostamos ou simplesmente para fazer absolutamente nada. Quem nunca contou os feriados e pontes no calendário ou sonhou com uma reforma antecipada, que se acuse.


Lembro-me do meu pai, passou anos a aguardar a data da reforma e, quando finalmente chegou, não conseguiu lidar com a nova realidade. Voltou atrás e ainda trabalhou mais 2 ou 3 anos até conseguir fazer o ajustamento necessário. Não só o físico, mas o psicológico também.


Não me parece que seja algo exclusivo da idade. Principalmente se vivemos num ritmo muito acelerado. Tenho passado os últimos anos a tentar perceber qual a melhor estratégia para reduzir o ritmo, sem estar, no entanto, parada. E confesso que tenho-me deparado com alguns desafios.


Estamos demasiado condicionados por uma sociedade que valoriza a produtividade e os modelos de ocupação quase exclusivamente formatados para o mercado de trabalho.


Fazemos outras coisas quando, e se sobrar algum tempo, e nem sempre sobra, não é verdade?


Então, por que é tão difícil?


Seria de esperar que, tendo mais algum tempo livre, não tivéssemos qualquer dificuldade em preenchê-lo com tudo o que desejamos fazer, quando não o temos. Na grande maioria dos casos, não é o que a experiência nos diz, e estas são algumas das razões:


  1. A rotina — temos as mesmas rotinas durante muitos anos e o corpo "gravou" essa dinâmica de horários, percursos, rituais e interações interpessoais. Quando tentamos abrandar, não basta tomar essa decisão. Há um automatismo que continua a puxar-nos para o ritmo anterior, quase como se estivéssemos sempre “em falta”. E isso provoca muitas vezes ansiedade.

  2. A identidade — Somos socialmente incentivados a associar valor pessoal a crescimento e progressão na carreira. Quando escolhemos não seguir esse caminho, surge por vezes, a sensação de estarmos a ficar para trás. Não porque o estejamos, mas porque as nossas referências são as mesmas.

  3. A comparação — continuamos inseridos no mesmo contexto em que os outros continuam a acelerar. Promoções, novos projetos, agendas cheias. Mesmo quando estamos seguros da nossa escolha, há momentos em que essa comparação aparece e faz-nos questionar: “devia estar a fazer mais?”

  4. A estrutura — abrandar não é sinónimo de desligar. Continuamos a trabalhar, a entregar, a ser responsáveis. Mas sem o “empurrão” constante da ambição externa, é preciso construir uma nova forma de organizar o tempo e a energia, mais alinhada com o que realmente é mais importante neste momento.

  5. A permissão — talvez esta seja a mais difícil. Dar-nos autorização para não maximizar tudo. Para não transformar cada interesse num objetivo. Para não otimizar cada hora do dia. Para escolher um ritmo que, de fora, pode até parecer “menos”, mas que por dentro faz mais sentido.

  6. A energia — viver num ritmo acelerado durante muito tempo cria um estado quase permanente de alerta. Abrandar não é apenas uma decisão racional; o corpo precisa de tempo para se reajustar. E esse processo pode trazer inquietação, cansaço ou até uma sensação estranha de culpa por “não estar a produzir”.

  7. O medo — Não é só hábito, é também medo. Medo de não estarmos a fazer o suficiente, de comprometer a nossa segurança, de não garantir a subsistência a longo prazo. E esse medo, silencioso mas persistente, empurra-nos de volta para o ritmo que estamos, na verdade, a tentar deixar para trás.


    Não se trata apenas de reduzir o ritmo. Trata-se de sair, conscientemente, de um modelo que nos foi apresentado como o caminho “certo”. E isso exige mais do que intenção, exige prática, consistência e, sobretudo, confiança.


    E, no meio disso tudo, aprender que abrandar também é uma forma de avançar.


Como a natureza nos pode ajudar?


A natureza ensina-nos o equilíbrio entre ação e pausa.


Basta observar, nada na natureza está em aceleração constante. Há ciclos, pausas, momentos de expansão e de recolhimento. As estações não competem entre si, as plantas não crescem mais depressa por pressão externa, e até os ecossistemas mais dinâmicos respeitam períodos de regeneração.


Abrandar não é parar, é alternar. É criar espaço para recuperar e para ajustar o passo. Cabe-nos aprender a traduzi-lo em práticas concretas e consistentes. Porque abrandar não é um evento, é uma competência, e tal como qualquer competência, precisa de ser treinada, ajustada e incorporada para se tornar verdadeiramente sustentável.


E é precisamente aqui que este tema se cruza com a formação Curso Especialista em Conexão com a Natureza. Não basta facilitar processos de abrandamento como uma experiência pontual ou um momento isolado. É necessário saber sustentá-los no tempo, integrá-los na vida real, no contexto das nossas rotinas.



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