A melhor altura para desligar o piloto automático
- Ana Read

- há 2 dias
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Atualizado: há 21 horas

Ahh, o Verão! Os dias longos com direito a pôr-do-sol, a sensação única de andar descalços na areia, a água fria na pele, os infindáveis momentos de olhos fechados sem culpa e os aromas da época que circulam no ar. Toda a estação é um convite ao abrandamento, à contemplação e à ativação dos sentidos. Exatamente o contrário do que praticamos fora dos períodos de férias, e precisamente o que precisamos para desligar o piloto automático.
Mas o que é que isto significa realmente? E por que tem uma conotação tão negativa? Temos esta percepção generalizada de que viver em modo automático não é uma prática saudável, mas sabemos exatamente o porquê?
Criamos determinadas rotinas e os hábitos vão-se instalando, muitas vezes, sem pedir licença. Fazemos algo uma vez e, depois, porque a vida é feita sempre na corrida, é mais fácil repetir o que já funcionou antes, sem nos questionarmos muito sobre isso.
Como não pensamos muito no seu impacto, repetimos o que é prático e o que não nos obriga a pensar muito, e vamos levando assim a vida.
Aos poucos, os efeitos a longo prazo, daquilo que não nos faz assim tão bem, vão-se acumulando e, lentamente, quase sem nos darmos conta, vão-se transformando em cansaço acumulado, em desgaste psicológico ou mesmo em frustração.
Podem ser aqueles segundos para verificar uma notificação que se transformam num inútil scroll de 15 ou 20 minutos, ou o não definirmos a nossa agenda diária com antecedência e acabarmos por ser engolidos pela agenda de toda a gente ou mesmo não pensarmos nos nossos momentos de pausa como essenciais para a nossa saúde mental.
Podia ficar aqui a enumerar tudo o que nos leva para o modo automático e que não contribui em nada para o nosso bem-estar. Mas facilmente, e refletindo sobre isto alguns momentos, certamente encontrarão alguns bons exemplos. Ora, experimentem...
Então a questão que se coloca é: como ganhar uma maior consciência sobre as nossas rotinas e usar os ensinamentos do Verão para o resto do ano? Como adquirir hábitos mais sustentáveis e ao mesmo tempo reparadores, que nos permitam levar os dias com mais leveza e energia?
Ficam aqui algumas ideias para praticar antes de voltar à rotina:
Caminha 20 minutos sem o telemóvel.
Escolhe uma árvore e observa-a como se fosse a primeira vez que a vês.
Por uns momentos, deixa que o vento te guie.
Tira os sapatos e sente diferentes texturas naturais debaixo dos pés.
Recolhe um objeto natural que conte a história das tuas férias.
Experimenta ouvir a paisagem antes de a fotgrafares.
Repara em algo na natureza que nunca tinhas visto.
Descobre um lugar onde o silêncio ainda existe.
Não é preciso fazer tudo. Um pequeno momento por dia tem o poder de nos surpreender. Depois é só repetir, em consciência.
Aos poucos verão que vai ficando mais fácil e também indispensável. E, com o tempo, encontrarão a vossa "coleção favorita". Aqueles locais especiais e pequenos momentos mágicos só vossos, que vos farão respirar e permitir abrandar, sem culpas.
Abrandar não é parar, é alternar. É criar espaço para recuperar e para ajustar o passo. Cabe-nos aprender a traduzi-lo em práticas concretas e consistentes. Porque abrandar não é um evento, é uma competência, e tal como qualquer competência, precisa de ser treinada, ajustada e incorporada para se tornar verdadeiramente sustentável.





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